fbpx
Compa

Rede Internacional de Ensino

  • Facebook
  • Instagram
28 de maio de 2020

Consideremos as três intuições originais da encíclica Laudato Si’. 1. “Tudo está conectado”: somos chamados a compreender as realidades naturais e humanas, religando constantemente a economia, a ecologia, a cultura, a vida social e política e a espiritualidade. 2. O “modelo tecnocrático”, que domina nosso desenvolvimento atual, explora e esgota os recursos naturais e humanos além de todos os limites. Temos necessidade de uma nova maneira de pensar o desenvolvimento (“um novo paradigma de desenvolvimento”), que valorize e proteja a complementaridade entre todos os seres vivos. 3. O “grito da terra” é também o “grito dos pobres” que nos convidam à conversão moral para uma “ecologia integral”, ou seja, para de maneira pacífica habitar a terra e compartilhar os bens que recebemos e produzimos.

Podemos dizer, com efeito, que este quinto aniversário da encíclica do Papa Francisco, no contexto da pandemia de Covid-19, destaca os vínculos entre desenvolvimento, saúde e solidariedade entre os seres vivos. Porque o déficit imunológico que nos fragiliza traz à tona a perda de harmonia com os organismos naturais. Além disso, estamos fazendo uma nova experiência de nossas vulnerabilidades, tanto físicas como de saúde e, provavelmente, também políticas. E percebemos que somos solidários, tanto no infortúnio e na provação, como no cuidado e na atenção mútua.

Não há economia sem saúde: a saúde, entendida como um equilíbrio entre a pessoa e seu ambiente, acaba sendo a própria condição da relação de troca e de trabalho. Mas também podemos dizer: não há saúde sem considerar os direitos humanos fundamentais (educação e acesso aos cuidados de saúde, em particular) – respeito pelo seu corpo e pelas suas relações, direito ao encontro e ao respeito às crenças, direito à participação cidadã e ao debate democrático. 

 Convém dizer com clareza: existiu e ainda existe um “fenômeno Laudato Si’” na opinião pública, bem como entre os pensadores e os tomadores de decisão da vida coletiva. Isso se deve ao contexto específico do ano de 2015. A encíclica apareceu em maio de 2015, alguns meses antes da Cop21 (dezembro de 2015) e do que hoje se convencionou chamar de Acordo Climático de Paris. Este período trouxe imensa esperança em matéria de meio ambiente. A tomada de consciência – esta “consciência universal” a que o Papa Francisco apela – está em marcha: é possível decidir e trabalhar em conjunto para “cuidar” do nosso planeta e do nosso universo “em sofrimento”.

A encíclica Laudato Si’, no entanto, tornou-se o apoio para muitas iniciativas cidadãs, em particular de jovens, nem sempre com o apoio dos Estados, mas com uma bela e forte convicção. Hoje, esse texto permanece surpreendentemente atual, porque vincula a análise e a inovação, a vida econômica e o debate político, a educação e a espiritualidade, de acordo com a abordagem pedagógica do “ver – julgar – agir”. Podemos dizer que estamos experimentando uma revolução do pensamento, da atividade humana e da relação entre o homem e o planeta, entre o indivíduo e os outros. Trata-se de uma revolução que também pode ser uma reconciliação entre as dimensões do vivo e as relações entre os seres vivos. 

Laudato Si’ nos leva a fazer a ligação entre a análise compreensiva dos nossos modos de produzir, em sua permanente ambiguidade, e o olhar da contemplação, que é uma fonte de paz interior e relacional. A própria estrutura da encíclica nos pede diferentes planos de compreensão e de ação. Trata-se, com efeito, de analisar com precisão o estado do mundo e o que o modelo tecnocrático do desenvolvimento atual produz, com a primazia da técnica sobre o homem. Depois, trata-se de revisitar a nossa memória cristã da Criação. Finalmente, trata-se de trabalhar para o futuro da vida, respeitando a biodiversidade e cuidando do clima “que é nosso bem comum”. 

Laudato Si’ nos leva a fazer a ligação entre a análise compreensiva dos nossos modos de produzir, em sua permanente ambiguidade, e o olhar da contemplação, que é uma fonte de paz interior e relacional. A própria estrutura da encíclica nos pede diferentes planos de compreensão e de ação. Trata-se, com efeito, de analisar com precisão o estado do mundo e o que o modelo tecnocrático do desenvolvimento atual produz, com a primazia da técnica sobre o homem. Depois, trata-se de revisitar a nossa memória cristã da Criação. Finalmente, trata-se de trabalhar para o futuro da vida, respeitando a biodiversidade e cuidando do clima “que é nosso bem comum”. 

fonte: – Marie Lucile Kubacki –  Revista IHU on line

× Agende sua Visita