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Rede Internacional de Ensino

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12 de agosto de 2020

Santa Joana aprendeu desde cedo a “mirar a la realidade”, em profundidade, e a partir daí, discernir as pistas que Deus vai colocando em nosso caminho, para conduzir na vida e na missão.

Neste tempo de distanciamento social, devido à pandemia, estamos vivendo, claramente, muito sofrimento, muita dor humana, injustiça e descaso com a vida, no olhar das autoridades governamentais e total ausência de políticas públicas mais humanitárias. No entanto, não podemos deixar de perceber também e, sobretudo,  as boas práticas de solidariedade, o serviço dos profissionais da saúde junto aos doentes por Covid e outras comorbidades, o empenho  dos profissionais da educação em continuar oferecendo os serviços às famílias e estudantes, e tantas outras iniciativas, para que a vida pudesse seguir.  Ou seja, encontrar em meio ao caos, aparentemente, escondido, as possibilidades de vida renovada e sempre cheia de novas possibilidades.

Assim tem acontecido em nosso Colégio, o Compa, nossa Comunidade Educativa se descobriu carregada de potencial, capacidades e habilidades que estavam adormecidas e , justamente, na dificuldade, pôde emergir e tornar-se uma oferta nova e atual, dando respostas às necessidades do momento, tanto do ponto de vista tecnológico como humano, possibilitando colocar em prática aquilo que Santa Joana, certamente, experimentou: “Educar de maneira sempre nova, de acordo com tempos, lugares e circunstâncias”.

Foram vários os momentos de encontro e partilha das práticas e ferramentas que cada um ia descobrindo como positivo nas atividades pedagógicas. Em cada encontro, os educadores traziam as novidades e iniciativas que deram certo, compartilhando com os colegas como utilizá-las, através de oficinas e capacitação, gerando um aprendizado colaborativo.

Todavia, para além das partilhas técnicas, foi possível perceber, nos encontros, embora virtuais e remotos, um clima de alegria e companheirismo, um desejo do “mais e melhor”, e principalmente, um sentido de união e de solidariedade. A alegria de sentir que não estávamos sós, que podíamos contar uns com os outros e que este tempo pede mudança de paradigma, onde a vida e as relações humanas possam ocupar seu devido lugar, que podemos e devemos sonhar grande, ensaiar outros caminhos e confiar em Deus que se faz presente na história, na nossa história e nos ajuda a construí-la  de um jeito novo.

Claro, tudo isso, felizmente, transcendia e chegava até nossos estudantes e suas famílias, como qualidade educativa e eles também começaram a descobrir um jeito novo de aprender , inseridos em seus próprios contextos, junto da família e de uma realidade atípica, porém, rica de muitos outros saberes.

Que Santa Joana continue sendo nossa inspiração, nos abençoe e nos fortaleça na missão.

Seguem algumas produções artísticas de alguns de nossos estudantes, neste tempo:

Realidade de uma pandemia   (Antonio Tufik Inácio da Silva – 7º  ano)

Eu não sei o que faço

Não sei mais quando parar

Não sei se abraço minha mãe ou paro para chorar

O mundo está morrendo

Não tem nada que possamos fazer

Podemos apenas esperar

Tentar ser feliz e rezar

Estamos presos em casa

Sem nem poder expressar

Emoções, risadas e opiniões

Podemos apenas aguardar…

O dia mesmo claro parece escuro

Junto de nossas famílias

Enfrentamos esse tempo obscuro

                  

 Ilustração – Ana Beatriz Silva Devidé – 3º EM

A Covid me mostrou  (João Vitor Soares de Lima Vieira – ex-aluno)                                                             

tanto tempo em casa olho pela janela visito a cozinha

pego um atalho na avenida da sala há um congestionamento na porta do banheiro.

vive-se, agora, não por mim mesmo,

mas por todos aqueles para quem dou bom dia ao acordar.

de volta do mercadinho da esquina ou de volta do trabalho

a covid me mostrou:

o abraço não dado se tornará dez, mas não agora.

tornei-me feroz freguês daquele mercadinho

é para onde me dirijo ao sentir a insatisfação de tanto tempo em casa.

mas para quem é permitido produzir ou trabalhar do quarto

não é trabalhoso constatar o polêmico tédio

e sim perceber o outro lado.

sem o mercado, o dono não poderia ter o privilégio de se preocupar apenas com a monotonia.

a covid me mostrou:

o dono do mercadinho precisa que eu seja seu melhor cliente.

os cuidados não se limitam àqueles perto de nós! devem atingir uma dimensão inimaginável

para a qual raramente olhamos:

os cuidados com nós mesmos.

em tempos de cabeças que transbordam opiniões que cospem decretos

e trituram nossa saúde mental através do noticiário

uma vez em contato com essa turbulência o que sobra de nós ao final do dia?

tirem as máscar- Coloquem as máscar- Fechem os restaurantes, abram.

As valas estão sendo abertas! Idoso de 102 anos se recupera. passe álcool nas compras, não toque nas compras.

Fiquem em casa. Trabalhem. Lavem as mãos depois do abraço!

Respiremos. Desliguem o rádio.

Deitemos apenas com a certeza

de que cuidaremos daquilo que nos traz significado. o significado de um chá junto à  mãe.

o significado de nos cuidar e cuidar de nossa mente. significado esse

que facilmente cai no esquecimento em meio ao ciclo da rotina.

a covid me mostrou:

tranquilidade, lucidez e cuidado são necessários para

que se possa lidar com as dificuldades impostas primeiramente por nós mesmos.

Aquele que vos escreve escolheu abordar um aspecto de nosso interior frente à ansiedade pandêmica,

trazer à luz a certeza de que nosso quarto de trabalho, do dia para a noite,

pode voltar a ser a rua e que nossa postura e solidariedade refletem como e quando poderá ser

o fim dos dias de confinamento.

Os laços se reforçam, é importante dizer. Aniversários online, videochamadas, contatos virtuais. Sabe aquele “significado” sobre o qual citei?

também contempla a saudade que abraça o peito. Saudade de reuniões, danças, conversas-fora.

A covid me mostrou um lado bom: No final, a verdadeira importância está nas pessoas

naquelas pelas quais choramos de saudade

naquelas que nos fazem sorrir

naquelas para as quais desejamos toda a saúde.

as quais completam o real foco de nossas partilhas: lembrar de pessoas

como pessoas e que, em sintonia e amparo,

o “novo normal” ainda será colorido.

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